Antes de compensar, reduzir ou comprovar qualquer coisa, existe uma etapa que sustenta tudo: saber quanto a organização emite.

O inventário de emissões é exatamente isso: o levantamento organizado e metodológico dos gases de efeito estufa (GEE) emitidos pelas atividades de uma empresa, expressos em uma unidade comum — a tonelada de CO₂ equivalente (tCO₂e).

Os três escopos

Para que a conta seja completa e comparável, o inventário divide as emissões em três escopos:

Escopo 1 — Emissões diretas

Gases emitidos por fontes que a empresa controla diretamente: combustão de combustíveis em veículos e caldeiras, processos industriais, ar-condicionado (gases refrigerantes), entre outros.

Escopo 2 — Energia comprada

Emissões indiretas associadas à eletricidade, calor ou vapor adquiridos de terceiros. No Brasil, o fator de emissão da energia elétrica varia com a matriz — predominantemente hidrelétrica, mas com variações que fazem esse número mudar de ano para ano.

Escopo 3 — Cadeia de valor

Emissões indiretas que ocorrem fora das operações da empresa: viagens a trabalho, transporte de mercadorias, fornecedores, uso dos produtos vendidos e fim de vida. Para muitas empresas, o escopo 3 é o maior de todos — e o mais difícil de medir.

Como o inventário é calculado?

A lógica é simples na aparência e trabalhosa na prática:

Dado de atividade × Fator de emissão = Emissões (tCO₂e)

Exemplo: uma frota que consumiu 10.000 litros de diesel multiplica esse volume pelo fator de emissão do diesel. O resultado é a emissão da frota no período.

Os fatores de emissão vêm de fontes reconhecidas — no Brasil, a referência oficial é o MCTI/SIRENE (Sistema de Registro Nacional de Emissões), além de padrões internacionais como o GHG Protocol.

Por que o inventário importa?

A qualidade do inventário depende dos dados

Dois inventários da mesma empresa podem chegar a resultados diferentes — um mais preciso, outro menos. A diferença está na qualidade e na origem dos dados: notas fiscais de combustível, faturas de energia, registros de frota, dados de fornecedores.

Quanto mais rastreável a origem de cada dado, mais confiável o resultado — e mais fácil defendê-lo em uma verificação ou auditoria.

É por isso que a gestão climática de verdade começa antes do número: começa no dado. Entenda o que é rastreabilidade de carbono e como ela sustenta o inventário.