Por que calcular emissões é o primeiro passo obrigatório
Com a entrada em vigor do SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões), medir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) deixou de ser apenas um exercício de responsabilidade ambiental: pela Lei 15.042/2024 (art. 30), os operadores que emitem acima de 10.000 tCO₂e por ano passam a estar sujeitos ao SBCE, com monitoramento, relato e verificação. Abaixo desse patamar não existe essa obrigação — e nós dizemos isso na tela, porque vender medo não é diagnóstico. O que vale para toda empresa é outra coisa: ter os dados que sustentam o que ela afirma (CDC, art. 37).
A boa notícia: o processo de cálculo segue uma metodologia internacional consagrada — o GHG Protocol — e pode ser realizado de forma estruturada. Neste guia, apresentamos os 5 passos para calcular as emissões da sua empresa de forma precisa e preparada para compliance.
Passo 1: Defina os limites organizacionais
Antes de medir qualquer coisa, é preciso definir o que está dentro do cálculo. O GHG Protocol oferece duas abordagens para delimitar os limites organizacionais:
- Controle operacional: a empresa reporta 100% das emissões de operações que ela controla. Esta é a abordagem mais utilizada no Brasil.
- Participação acionária: a empresa reporta emissões proporcionais à sua participação em cada operação. Usada em holdings e joint ventures.
Na prática, para a maioria das empresas de Minas Gerais — sejam mineradoras, agroindústrias ou indústrias de transformação — o controle operacional é a escolha mais direta e recomendada.
Passo 2: Identifique as fontes de emissão por escopo
O GHG Protocol classifica as emissões em três escopos. Cada um exige dados específicos e representa diferentes graus de controle da empresa sobre suas emissões.
Escopo 1 — Emissões diretas
São as emissões geradas diretamente pela operação da empresa. Isso inclui:
- Queima de combustíveis fósseis em caldeiras, fornos e veículos próprios
- Processos industriais (reações químicas na produção de cimento, aço, etc.)
- Emissões fugitivas (vazamentos de gases refrigerantes, metano em aterros)
- Uso de fertilizantes nitrogenados no agronegócio
Escopo 2 — Emissões de energia adquirida
Emissões indiretas relacionadas à energia elétrica e térmica comprada de terceiros. No Brasil, o fator de emissão da rede elétrica varia conforme a matriz energética do momento (mais hidrelétricas = menor fator; mais termelétricas = maior fator). O Ministério de Ciência e Tecnologia publica os fatores de emissão do SIN (Sistema Interligado Nacional) anualmente.
Escopo 3 — Emissões da cadeia de valor
São todas as emissões indiretas que não estão no Escopo 2. Exemplos:
- Transporte e distribuição de produtos (upstream e downstream)
- Viagens de negócios e deslocamento de funcionários
- Resíduos gerados nas operações
- Produção de insumos e matérias-primas compradas
- Uso dos produtos vendidos pelo consumidor final
O Escopo 3 costuma representar a maior parcela das emissões totais de uma empresa — em alguns setores, mais de 70%. Embora o SBCE inicialmente foque nos Escopos 1 e 2, empresas visionárias já mapeiam o Escopo 3 para se antecipar.
Passo 3: Colete os dados de atividade
Com as fontes identificadas, é hora de coletar os dados de atividade — ou seja, os números que alimentam o cálculo. Exemplos práticos por setor:
- Mineração: litros de diesel consumidos por caminhões e escavadeiras, MWh de energia elétrica, toneladas de explosivos utilizados
- Agronegócio: hectares cultivados, kg de fertilizantes nitrogenados, litros de combustível em tratores, cabeças de gado (para emissões de metano entérico)
- Indústria: toneladas de matéria-prima processada, GJ de gás natural consumido, km rodados pela frota própria
- Serviços: MWh de consumo elétrico, km de viagens aéreas corporativas, toneladas de resíduos gerados
Dica prática: comece pelos dados que sua empresa já tem — notas fiscais de combustível, contas de energia e registros de produção. A maior parte dos dados do Escopo 1 e 2 já existe na contabilidade operacional.
Passo 4: Aplique os fatores de emissão
O cálculo de emissões segue uma fórmula simples:
Emissão (tCO₂e) = Dado de atividade × Fator de emissão
Os fatores de emissão convertem dados de atividade (litros de diesel, MWh de energia) em toneladas de CO₂ equivalente. As principais fontes de fatores reconhecidas no Brasil são:
- IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática): fatores padrão internacionais, aceitos globalmente
- MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação): fatores de emissão do SIN e de combustíveis nacionais
- Programa Brasileiro GHG Protocol: fatores adaptados à realidade brasileira, com tabelas atualizadas anualmente
Exemplo concreto: se uma empresa consome 50.000 litros de diesel por ano, e o fator de emissão do diesel é aproximadamente 2,68 kgCO₂e/litro (conforme IPCC), o cálculo é:
50.000 L × 2,68 kgCO₂e/L = 134.000 kgCO₂e = 134 tCO₂e
Passo 5: Gere o inventário e planeje a ação
Com todos os dados calculados, o passo final é consolidar tudo em um inventário de emissões de GEE. Um inventário completo deve conter:
- Emissões totais em tCO₂e por escopo
- Detalhamento por fonte de emissão
- Metodologia utilizada e fontes de fatores de emissão
- Ano-base para comparação futura
- Plano de ação: metas de redução e estratégia de compensação
Empresas como Bayer, Nexa Resources, LongPing High-Tech e Valore — parceiras da DoubleDyn — já realizam inventários anuais e utilizam os resultados para traçar estratégias de redução e compensação de emissões.
Simplifique com a calculadora DoubleDyn
Se todo esse processo parece complexo, saiba que a DoubleDyn desenvolveu uma calculadora de emissões gratuita baseada no GHG Protocol e em fatores de emissão oficiais — e que mostra se a sua operação é alcançada pelo SBCE (patamar do art. 30). Em apenas 6 etapas, você insere os dados operacionais da sua empresa e recebe um diagnóstico completo com:
- Emissões estimadas em tCO₂e/ano
- Distribuição por escopo
- Custo estimado de compensação
- Enquadramento no SBCE: se a sua operação passa do patamar de 10.000 tCO₂e/ano — e o que isso implica
É o ponto de partida mais rápido para qualquer empresa que precisa se preparar. E quando chegar a hora de compensar, a DoubleDyn registra cada crédito queimado na blockchain com certificados NFT — prova imutável e verificável de compromisso ambiental.