Por que calcular emissões é o primeiro passo obrigatório
Com a entrada em vigor do SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões), calcular as emissões de gases de efeito estufa (GEE) da sua empresa deixou de ser um exercício opcional de responsabilidade ambiental. É agora uma obrigação regulatória. Empresas que emitem acima de 10.000 tCO₂e por ano precisarão submeter inventários verificados.
A boa notícia: o processo de cálculo segue uma metodologia internacional consagrada — o GHG Protocol — e pode ser realizado de forma estruturada. Neste guia, apresentamos os 5 passos para calcular as emissões da sua empresa de forma precisa e preparada para compliance.
Passo 1: Defina os limites organizacionais
Antes de medir qualquer coisa, é preciso definir o que está dentro do cálculo. O GHG Protocol oferece duas abordagens para delimitar os limites organizacionais:
- Controle operacional: a empresa reporta 100% das emissões de operações que ela controla. Esta é a abordagem mais utilizada no Brasil.
- Participação acionária: a empresa reporta emissões proporcionais à sua participação em cada operação. Usada em holdings e joint ventures.
Na prática, para a maioria das empresas de Minas Gerais — sejam mineradoras, agroindústrias ou indústrias de transformação — o controle operacional é a escolha mais direta e recomendada.
Passo 2: Identifique as fontes de emissão por escopo
O GHG Protocol classifica as emissões em três escopos. Cada um exige dados específicos e representa diferentes graus de controle da empresa sobre suas emissões.
Escopo 1 — Emissões diretas
São as emissões geradas diretamente pela operação da empresa. Isso inclui:
- Queima de combustíveis fósseis em caldeiras, fornos e veículos próprios
- Processos industriais (reações químicas na produção de cimento, aço, etc.)
- Emissões fugitivas (vazamentos de gases refrigerantes, metano em aterros)
- Uso de fertilizantes nitrogenados no agronegócio
Escopo 2 — Emissões de energia adquirida
Emissões indiretas relacionadas à energia elétrica e térmica comprada de terceiros. No Brasil, o fator de emissão da rede elétrica varia conforme a matriz energética do momento (mais hidrelétricas = menor fator; mais termelétricas = maior fator). O Ministério de Ciência e Tecnologia publica os fatores de emissão do SIN (Sistema Interligado Nacional) anualmente.
Escopo 3 — Emissões da cadeia de valor
São todas as emissões indiretas que não estão no Escopo 2. Exemplos:
- Transporte e distribuição de produtos (upstream e downstream)
- Viagens de negócios e deslocamento de funcionários
- Resíduos gerados nas operações
- Produção de insumos e matérias-primas compradas
- Uso dos produtos vendidos pelo consumidor final
O Escopo 3 costuma representar a maior parcela das emissões totais de uma empresa — em alguns setores, mais de 70%. Embora o SBCE inicialmente foque nos Escopos 1 e 2, empresas visionárias já mapeiam o Escopo 3 para se antecipar.
Passo 3: Colete os dados de atividade
Com as fontes identificadas, é hora de coletar os dados de atividade — ou seja, os números que alimentam o cálculo. Exemplos práticos por setor:
- Mineração: litros de diesel consumidos por caminhões e escavadeiras, MWh de energia elétrica, toneladas de explosivos utilizados
- Agronegócio: hectares cultivados, kg de fertilizantes nitrogenados, litros de combustível em tratores, cabeças de gado (para emissões de metano entérico)
- Indústria: toneladas de matéria-prima processada, GJ de gás natural consumido, km rodados pela frota própria
- Serviços: MWh de consumo elétrico, km de viagens aéreas corporativas, toneladas de resíduos gerados
Dica prática: comece pelos dados que sua empresa já tem — notas fiscais de combustível, contas de energia e registros de produção. A maior parte dos dados do Escopo 1 e 2 já existe na contabilidade operacional.
Passo 4: Aplique os fatores de emissão
O cálculo de emissões segue uma fórmula simples:
Emissão (tCO₂e) = Dado de atividade × Fator de emissão
Os fatores de emissão convertem dados de atividade (litros de diesel, MWh de energia) em toneladas de CO₂ equivalente. As principais fontes de fatores reconhecidas no Brasil são:
- IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática): fatores padrão internacionais, aceitos globalmente
- MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação): fatores de emissão do SIN e de combustíveis nacionais
- Programa Brasileiro GHG Protocol: fatores adaptados à realidade brasileira, com tabelas atualizadas anualmente
Exemplo concreto: se uma empresa consome 50.000 litros de diesel por ano, e o fator de emissão do diesel é aproximadamente 2,68 kgCO₂e/litro (conforme IPCC), o cálculo é:
50.000 L × 2,68 kgCO₂e/L = 134.000 kgCO₂e = 134 tCO₂e
Passo 5: Gere o inventário e planeje a ação
Com todos os dados calculados, o passo final é consolidar tudo em um inventário de emissões de GEE. Um inventário completo deve conter:
- Emissões totais em tCO₂e por escopo
- Detalhamento por fonte de emissão
- Metodologia utilizada e fontes de fatores de emissão
- Ano-base para comparação futura
- Plano de ação: metas de redução e estratégia de compensação
Empresas como Bayer, Nexa Resources, LongPing High-Tech e Valore — parceiras da DoubleDyn — já realizam inventários anuais e utilizam os resultados para traçar estratégias de redução e compensação de emissões.
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Se todo esse processo parece complexo, saiba que a DoubleDyn desenvolveu uma calculadora de emissões gratuita baseada na Lei 15.042/2024 e no GHG Protocol. Em apenas 6 etapas, você insere os dados operacionais da sua empresa e recebe um diagnóstico completo com:
- Emissões estimadas em tCO₂e/ano
- Distribuição por escopo
- Custo estimado de compensação
- Nível de risco regulatório perante o SBCE
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